
Recentemente, em um tópico publicado, a autora apresentou suas impressões nas questões psicológicas das cores, nos mostrando como as cores podem influenciar as emoções e o comportamento humano, dito isso, a área da psicologia vem explorando como o papel das cores pode influenciar sentimentos e transmitir mensagens, trazendo para o mundo da moda contemporânea, as cores não são meros elementos estéticos, mas ferramentas poderosas de comunicação e expressão.
É possível encontrar nas pesquisas de tendências cromáticas, que visam às cores que estão sendo utilizadas e valorizadas, desempenhando um papel fundamental na indústria, influenciando desde as passarelas até as coleções de fast fashion. Neste contexto, com o avanço da tecnologia e das análises de comportamento, prever e definir as paletas de cores tornou-se um processo estratégico, capaz de ditar o sucesso ou o fracasso de uma coleção.

Instituições como o Pantone Color Institute e empresas especializadas em tendências investem em estudos aprofundados para decifrar as nuances do consumo e do contexto sociocultural. As cores escolhidas para cada temporada não surgem ao acaso: elas refletem mudanças políticas, preocupações ambientais e até avanços tecnológicos. O verde-esmeralda, por exemplo, ganhou destaque em resposta à crescente conscientização ecológica, enquanto tons de roxo vibrante emergiram como símbolos de criatividade e inovação.
Essas identificações de cores, até chegarem à conclusão de “Cores do Ano” que partem de uma análise ampla de diversas influências, como filmes em produção, novas coleções de arte, moda, destinos de viagens populares, novas tecnologias e materiais, condições socioeconômicas, plataformas de mídias sociais e eventos esportivos importantes. Logo, cada escolha de uma cor terá um impacto, principalmente no mundo do marketing e design, onde a escolha das cores é uma ferramenta poderosa para direcionar o comportamento do consumidor.

Voltando para abordagem psicológicas das cores, as quais revelam como diferentes tonalidades podem evocar emoções e influenciar decisões de compra. Marcas de luxo, por exemplo, frequentemente adotam cores sóbrias e atemporais, esse estilo que adota cores neutras, como o preto, cinza e o branco, tem o principal objetivo em transmitir elegância, enquanto labels jovens (Produtos destinados a jovens ou criado por jovens designers) apostam em combinações ousadas para atrair gerações conectadas às redes sociais. Além disso, a personalização e a demanda por exclusividade levaram à criação de paletas sazonais que variam conforme o público-alvo, demonstrando como a cor se tornou um recurso chave na segmentação de mercado.

Com a indústria da moda sob pressão para reduzir seu impacto ambiental, e com o processo de erosão antrópica em massa, a busca por corantes naturais e processos de tingimento sustentáveis ganhou protagonismo. Segundo a revista Steal The Look, o surgimento da técnica chamada upcycling que reaproveitam resíduos, tecidos e peças de roupas que seriam descartados. O termo upcycling foi utilizado pela primeira vez por volta de 1994 pelo ambientalista alemão Reine Pilz. Após 8 anos, o autor de Cradle to Cradle (sistemas onde os materiais e componentes podem ser reutilizados) William McDonough reutilizou o termo, o que o popularizou. Desse modo, essas mudanças não somente atendem às exigências de consumidores conscientes, mas também abrem caminho para inovações que podem redefinir o futuro da moda colorida. Segue abaixo um exemplar de uma peça que segue a premissa do upcyling:

A imagem apresentada foi retirada de um evento fashion show realizado no ano passado em Gana, o nome do evento em questão se chama: Obroni Wawu October (OWO).

Portanto, a evolução das pesquisas de tendências cromáticas prova que a cor vai muito além da superfície — ela é um reflexo do zeitgeist (Espírito da Época), um termômetro cultural e um motor de inovação. À medida que a moda avança em direção a um futuro mais inclusivo e sustentável, as escolhas de cores continuarão a desempenhar um papel vital na forma como nos expressamos e nos conectamos com o mundo. Por fim, na era da hiper conexão, onde a imagem fala mais alto do que nunca, dominar a linguagem das cores é, sem dúvida, uma das habilidades mais valiosas para qualquer ser humano da indústria fashion.
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