
A nossa memória nem sempre é tão fiável como julgamos.. O nosso cérebro pode sim criar memórias falsas, levando-nos a recordar com confiança acontecimentos que nem ocorreram. Este fenómeno tem sido estudado e revela muito sobre a forma como reconstruímos o passado.
O que são estas memórias falsas afinal?
As memórias falsas são recordações de eventos que nunca aconteceram ou que foram alteradas de forma significativa. Não se trata apenas de esquecer detalhes, mas sim de lembrar ativamente algo que nunca aconteceu, e muitas vezes com grande convicção! Estas memórias podem incluir desde pequenos pormenores até episódios completos.
Vamos descobrir como podem acontecer?


Por sugestão ou desinformação:
Informações externas, como sugestões de outras pessoas ou de notícias, podem influenciar a formação de memórias falsas, especialmente se a memória original não estiver muito clara.
Imaginação repetida:
Quando imaginamos algo repetidamente, como ter estado num certo lugar ou vivido uma situação específica, a linha entre realidade e imaginação pode ficar pouco perceptível.
Reconsolidação da memória:
Sempre que recordamos um evento, a memória é reactivada e torna-se temporariamente maleável. Nesse processo, novos detalhes, reais ou não, podem ser incorporados, alterando a recordação original.
Pressão social:
Recordações partilhadas em grupo podem ser moldadas pelo que os outros dizem lembrar. Este fenómeno, conhecido como conformidade da memória, mostra como somos influenciados por memórias colectivas, mesmo quando estão incorrectas.
Estudos Comprobatórios

O primeiro estudo sobre as falsas memórias data de 1893 e foi publicado na revista Science. O estudo era simples, consistia numa lista de palavras das quais os participantes se deveriam lembrar depois. Foram usadas palavras comuns, como “rolo”, “dedal” e “faca”. Na hora de recordar a lista, muitos participantes recordaram, além das palavras originais, palavras relacionadas a estas, como “fio”, “agulha” e “garfo”.
Também Loftus e Jacqueline E. Pickrell tentaram implantar uma memória específica em adultos, que hipoteticamente teria ocorrido quando tinham 5 anos de idade e que envolvia estarem perdidos num shopping. Eram 24 participantes, com idades entre os 18 e os 53 anos, e foi pedido para se tentarem lembrar de eventos de infância, estes já tinham sido relatados às investigadoras por familiares.
Para cada participante foi preparada um folheto com quatro historias, contendo três delas eventos que de facto aconteceram, foram relatadas pelos familiares, e a quarta, um acontecimento falso, construído pelas autoras sobre um possível passeio ao shopping. Foi confirmado pelos familiares que o participante nunca se tinha perdido aos 5 anos. O enredo da história “perdido no shopping” incluiu os seguintes elementos: perdido durante um período prolongado, choro, ajuda e consolo por uma mulher idosa e, finalmente, a reunião com a família.
O resultado deste estudo foi aproximadamente 68% dos participantes recordam logo após a leitura inicial do folheto, e alguns até incluiam detalhes como o uso de óculos pela senhora idosa que ajudou no reencontro com a família.
Como podem ser um problema esta criação de memórias falsas?

Testemunhos em tribunal.
Pessoas bem-intencionadas podem prestar depoimentos baseados em memórias falsas, o que pode levar a condenações injustas.
Terapias de memória recuperada.
Técnicas mal aplicadas podem induzir falsas memórias traumáticas em pacientes.
Influência da tecnologia.
A inteligência artificial e a manipulação de imagens podem facilitar a criação ou reforço de memórias fictícias.
Concluindo!
Sim, o nosso cérebro é capaz de criar memórias falsas, e pode fazê-lo com mais frequência do que gostaríamos de admitir. Embora muitas destas memórias sejam inofensivas, em certos contextos podem ter consequências graves. Compreender como funcionam, porque surgem e como se manifestam no cérebro é essencial para lidar com elas de forma informada e responsável!
Um beijo da Aky.⚡
#MaratonaDoConteúdoRH
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