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Protagonismo Feminino no Cinema e na Música
em 18/03/2026 13:31
jukkj
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Protagonismo Feminino no Cinema e na Música

 

 O protagonismo feminino no cinema e na música vive uma transição profunda, onde as mulheres deixaram de ser musas para se tornarem autoras de suas narrativas. No cinema, diretoras e produtoras impõem o "olhar feminino", substituindo estereótipos por histórias complexas. Na música, artistas assumiram o papel de executivas, dominando a composição, a gestão financeira e a posse de suas obras. Embora o impacto cultural seja inegável, persistem barreiras como a disparidade salarial e o baixo acesso de mulheres negras e trans a grandes orçamentos. O cenário atual não é apenas sobre ocupar palcos, mas sobre deter o poder de decisão, onde a mulher deixa de ser objeto para se tornar a mente soberana por trás de cada frame e nota.

 

No Cinema: da Atuação à Direção

 

 Antigamente, no cinema clássico, as mulheres eram limitadas a personagens roteirizadas por homens, presas a arquétipos bidimensionais como a mocinha santa a ser salva ou a femme fatale perigosa. A mudança para a autoria significa que a mulher assumiu a caneta na direção e na produção, quebrando essa lógica binária. Assim, a personagem feminina deixa de existir apenas em relação ao homem para ganhar desejos, falhas e vida interior própria, marcando a transição de uma era onde a mulher era lida pelos outros para uma era onde ela mesma se escreve.

 Diretoras como Greta Gerwig (Barbie) e Chloé Zhao (Nomadland) trazem uma perspectiva que humaniza a experiência feminina, filmando a mulher de dentro para fora e fugindo da hipersexualização ou da dependência de personagens masculinos. Atrizes como Reese Witherspoon (Legalmente Loira) e Margot Robbie (Barbie) fundaram suas próprias produtoras para tirar do papel histórias complexas sobre mulheres reais, combatendo a falta de papéis para aquelas acima dos 40 anos. O aumento de mulheres na direção, roteiro e fotografia altera a estrutura da indústria, criando uma rede de apoio que permite explorar temas como maternidade real, carreira e sororidade com a visceralidade da experiência real e sem filtros.
 

  Abaixo vemos algumas obras dirigidas e protagonizadas por mulheres no mundo todo.

 

 A Substância: Dirigido por Coralie Fargeat, é um terror corporal visceral que critica duramente os padrões estéticos impossíveis impostos às mulheres pela indústria do entretenimento.

 Hamnet: Dirigido por Chloé Zhao, o filme reconta a vida de William Shakespeare sob a perspectiva de sua esposa, Agnes, focando na dor da perda e na força feminina da época.

 Anora: Vencedor da Palma de Ouro, o filme foca na agência e dignidade de uma trabalhadora sexual, desafiando a vitimização comum nesses papéis.

  Ainda Estou Aqui: Dirigido por Walter Salles, mas protagonizado por uma atuação histórica de Fernanda Torres, foca na resiliência de Eunice Paiva durante a ditadura brasileira.

  Adoráveis Mulheres: Dirigido por Greta Gerwig, que redefine a clássica história sobre ambição e sororidade.

 Retrato de uma Jovem em Chamas: Dirigido por Céline Sciamma, é uma obra-prima sobre o desejo e a arte sob uma perspectiva puramente feminina.

  Bom Dia, Verônica: A personagem de Tainá Müller faz sua jornada como uma das maiores figuras de investigação do audiovisual brasileiro. A série foca na luta contra sistemas de abuso patriarcal, colocando a mulher como a agente que expõe as rachaduras do poder masculino.

 
Na Música: Autonomia e Dominação Global

 Na música, o protagonismo se manifesta na independência artística e no controle total da imagem e dos negócios, onde não basta ter a voz mais bonita: a mulher precisa da caneta que assina as letras e do carimbo que autoriza os contratos. Nomes como Dua Lipa, Rihanna e Ariana Grande são executivas que gerenciam impérios, indo além do palco. Dua Lipa fundou a Radical22, sua própria empresa de mídia e gestão. Rihanna revolucionou o mercado com a Fenty Beauty e sua missão de beleza para todos os tons de pele, e Ariana Grande apostou na R.E.M. Beauty, com estética futurista e fórmulas veganas.
 

 Antigamente, para ter sucesso em gêneros dominados por homens, a mulher precisava adotar uma postura invulnerável para se encaixar no que o público masculino esperava. Ao cantar sobre suas fraquezas, a vulnerabilidade deixa de ser "fraqueza" e vira uma forma de dizer que nossa dor é real e comum a todas. No Brasil, o Sertanejo Feminino, era liderado por Marília Mendonça, que revolucionou o mercado ao trazer o ponto de vista da mulher para o centro. Marília trouxe um empoderamento cotidiano onde a mulher é a narradora: ela bebe no bar para esquecer, expõe a traição e decide terminar, tirando a mulher comum do papel de coadjuvante e tornando ela a protagonista de suas escolhas amorosas e financeiras.

 

 Diferente da performance, onde a visibilidade feminina é alta, a produção musical e a engenharia de som ainda apresentam estatísticas desproporcionais. Um dos maiores desafios atuais é a presença feminina nessas áreas técnicas, onde os números são baixos, mas nomes como Rosalía, que produz suas próprias faixas, inspiram uma nova geração. Quando uma mulher ocupa a engenharia de som, ela garante que a intenção artística original não seja diluída. Além disso, por ser uma das áreas mais rentáveis em direitos autorais, a ausência feminina na produção contribui diretamente para a desigualdade financeira.

 

  Abaixo vemos algumas obras de autonomia artística produzidas por mulheres no mundo todo.

 

 Rihanna: Anti, o álbum que rompeu com a fábrica de hits. Rihanna se recusou a entregar o que a gravadora queria, criando uma obra densa e autoral que provou que ela era a mente criativa por trás de sua marca global.

 Lady Gaga: Mayhem, o álbum marcado como seu trabalho mais cru e experimental, onde ela assume as rédeas da produção sem filtros pop comerciais.

  Ariana Grande: Eternal Sunshine, um álbum de divórcio e autoconhecimento onde a artista assume a produção executiva para narrar sua versão dos fatos, fugindo das fofocas de tabloides através de um som sofisticado e vulnerável.

 Chappell Roan: The Rise and Fall of a Midwest Princess, um álbum que marca da autonomia queer no pop. Ela construiu seu império de forma independente e teatral, transformando a performance feminina em um espaço de liberdade absoluta e celebração comunitária.

  Marina Sena: Coisas Naturais, um álbum que no Brasil, Marina consolida sua maturidade artística com uma sonoridade orgânica e vulnerável, reafirmando-se como uma força independente.

 Liniker: Nas plataformas de áudio e em seus especiais de vídeo, Liniker representa o auge da composição como manifesto. Ela controla desde a sonoridade (misturando MPB, Jazz e R&B) até a forma como seu corpo e afeto são retratados, fugindo de qualquer estereótipo pré-moldado pela indústria.

 O protagonismo feminino no cinema e na música não é uma tendência passageira, mas uma reforma definitiva nas estruturas de poder da cultura global e brasileira. Vivemos a transição de um cenário onde a mulher era apenas imagem ou voz para um presente onde ela é a arquiteta da obra. Seja pela quebra do olhar masculino na direção ou pela gestão de impérios bilionários na música, a autonomia tornou-se a palavra de ordem. Embora o caminho para a equidade ainda enfrente desafios como a disparidade salarial, a ferramenta mais poderosa é a autoria. Quando a mulher têm a caneta, o roteiro e o orçamento, ela não apenas conta sua história, mas altera a percepção do que é possível para todas as que virão depois

 
   E você? Qual sua obra artística favorita ou sua artista favorita? Compartilhe conosco aqui em baixo.
 

 

Um beijo da Ju.
 

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